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Rondônia pede patente para fármaco anti-leishmaniose obtido de cobra cascavel; pesquisa teve apoio

Cientista Nicolete (C) e demais pesquisadores de fármacos anti-leishmaniose É de Rondônia o primeiro pedido da região amazônica, e possivelmente um dos mais raros d...

Saúde

POR Paulo Portaljipa EM 20/03/2017 ÀS 16:40:30

Rondônia pede patente para fármaco anti-leishmaniose obtido de cobra cascavel; pesquisa teve apoio

Cientista Nicolete (C) e demais pesquisadores de fármacos anti-leishmaniose



É de Rondônia o primeiro pedido da região amazônica, e possivelmente um dos mais raros do País, para o patenteamento de um fármaco anti-leishmaniose obtido da serpente Crotalus durissus terrificus [espécie de cascavel que também habita a região amazônica].


No Brasil só há uma espécie de cascavel e cinco subespécies.


Projeto fomentado pela Fundação de Amparo ao Desenvolvimento das Ações Científicas e Tecnológicas e à Pesquisa em Rondônia (Fapero) e desenvolvido pela equipe do pós-doutor em Biociências Aplicadas à Farmácia, Roberto Nicolete, da Fundação Oswaldo Cruz-RO, resultou na solicitação de patente ao Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI).


Para o presidente da Fapero, Francisco Elder Oliveira, o trabalho de Nicolete tem alto significado para o estado. “Até algum tempo atrás não havia fomento à pesquisa, e essa busca da patente é a joia que ganhamos ao tempo em que formamos doutores, mestres, e contribuímos com a ciência mundial”, disse.


A investigação aprovada pela chamada do Projeto de Pesquisa Para o SUS (PPSUS) em 2013 avaliou a crotamina [proteína presente no veneno da serpente Crotalus como “ferramenta para carreamento de drogas contra a leishmaniose”.


Leishmanioses constituem um conjunto de doenças que afetam aproximadamente 12 milhões de pessoas, especialmente em países pobres ou muito pobres.


Até então, os tratamentos disponíveis apresentam severos efeitos colaterais e falha terapêutica.


Nos anos 1960/70, quando recebeu levas de migrantes do Sul, Sudeste, Centro-Oeste e Nordeste do País, Rondônia também tinha casos de leishmaniose nos cantões da floresta e zona rural, onde até hoje ainda ocorrem filarioses, toxoplasmose, micoses profundas e outras doenças causadas por insetos.


cascavel espécie crotalus

Cascavel da espécie Crotalus durissus terrificus



INTENSA PESQUISA


Desde 2013 a equipe do cientista Roberto Nicolete avalia a eficácia e efeitos toxicológicos da crotamina isolada da cascavel.


Estudos preliminares e in vitro possibilitaram combinações de droga, citotoxidade dos tratamentos sobre células, e as duas combinações mais eficazes de cada droga foram avaliadas acerca da inibição do crescimento de amastigotas, produção de NO [óxido nítrico] por reação de Griess e diferentes citocinas por ELISA [do inglês Enzyme Linked ImmunonoSorbent Assay).


Os tratamentos foram feitos por oito dias alternados com os controles e combinações de drogas com CTA. A massa e tamanho da pata infectada foi monitorada diariamente.


Após 48 h do fim do tratamento os animais foram eutanasiados para a retirada de sangue, tecido da pata, linfonodo, rins, fígado e baço para posteriores experimentos. O sangue foi centrifugado e o soro separado para análise bioquímica e imunológica.


In vivo, a combinação das drogas com CTA mostrou-se mais eficaz que as drogas sozinhas na contagem de parasitos nos tecidos, revelou o estudo. A medida das massas dos órgãos não sugerem megalias [aumento ou desenvolvimento anormal de um órgão ou parte dele], no entanto, a bioquímica do soro dos animais demonstra aumento de enzimas hepáticas e musculares sem apresentar toxidade.


“A associação da crotamina mostra-se um promissor caminho para tratamentos antileishmania”, considerou o cientista.


A equipe de pesquisadores envolvida no Depósito de Patente tem experiência na área de Biotecnologia e doenças negligenciadas, pela Fiocruz-RO. São eles: Roberto Nicolete (Fiocruz-RO e Ceará), Andreimar Martins Soares (Fiocruz-RO), Leonardo de Azevedo Calderon (Fiocruz-RO e Universidade Federal de Rondônia). Um aluno de Doutorado da Rede Bionorte, também bolsista da Fapero integra a equipe.


Transmitindo entusiasmo, Nicolete contou que se tornou cientista “por curiosidade, observação e exemplos seguidos de outros docentes/pesquisadores”, quando ainda aluno de graduação no curso de Farmácia da Faculdade de Ciências Farmacêuticas de Ribeirão Preto-USP.


“Sempre procurei desenvolver projetos envolvendo terapias experimentais contra doenças infecciosas e após ingressar na Fiocruz, certamente pude mais objetivamente, concluir pesquisas mais elaboradas e desafiadoras na minha área de atuação”, disse.


“O depósito de patente via PCT foi muito importante para o grupo de pesquisa, uma vez que ela será depositada em vários escritórios internacionais, possibilitando maior abrangência e visibilidade do estudo”.


Assim, ele espera que os resultados obtidos possibilitem vislumbrar grande potencialidade de aplicações biotecnológicas dos produtos e processos da combinação terapêutica proposta no estudo, os quais contribuirão para o fortalecimento da C,T&I do estado e do País.


CARÊNCIAS DO SUS


Para o cientista, as principais contribuições à ciência, tecnologia e inovação privilegiam a difusão do conhecimento no estado e nacionalmente. “Formam-se recursos humanos em nível de pós-graduação e consolidam-se colaborações locais e regionais. A área de Biotecnologia e Saúde aplicadas para o desenvolvimento de produtos e protótipos para tratamento de doenças infecciosas e crônicas ainda é um gargalo para o fortalecimento da indústria nacional, a qual setoriza suas prioridades de mercado e deixa de apoiar a sustentabilidade do SUS e a concorrência nacional na área”.


Convicto, Nicolete, disse que uma sociedade que tem por política preterir a ciência e tecnologia em detrimento de outras áreas estará fadada ao fracasso. Lutemos pela nossa ciência livre e justa! Só assim daremos o salto tecnológico necessário ao desenvolvimento nacional e igualdade social”.


Aos demais pesquisadores e interessados no avanço científico em Rondônia, manifestou apoio: “Nunca desista de uma ideia, mesmo que outros não a entendam ou finjam não entender por motivos de conveniência ou concorrência. Fazer ciência no Brasil é muito difícil por várias razões. Busque sempre apoio de grupos com experiência e boa vontade em ajudar!”.


 

Fonte - Assessoria

Fotográfo - Divulgação

 
 
 
 
 
 
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