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  • CPI acolhe reclamações dos consumidores de Ji-Paraná contra a Energisa

    Plenário da Câmara Municipal ficou lotado pela população, que cobra ações contra os abusos cometidos pela empresa

    Política
    10 minutos de leitura

    Paulo Portaljipa EM 11/11/2019 ÀS 20:29:27

    CPI acolhe reclamações dos consumidores de Ji-Paraná contra a Energisa

    • A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) instalada na Assembleia Legislativa para apurar possíveis irregularidades e práticas abusivas contra os consumidores de energia elétrica, praticadas pela empresa Energisa, realizou na manhã desta segunda-feira (11), no plenário da Câmara Municipal de Ji-Paraná, a segunda audiência pública no interior do Estado, para ouvir as denúncias da população e de entidades.
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    • O presidente da Assembleia Legislativa, Laerte Gomes (PSDB), o presidente da CPI da Energisa, deputado Alex Redano (Republicanos), e os deputados Jair Montes (Avante) relator da CPI; Cirone Deiró (Podemos), Cabo Jhony Paixão (Republicanos) e Cassia Muleta (Podemos) participaram da audiência. 
    • O prefeito de Ji-Paraná, Marcito Pinto (PDT), o vereador Joaquim Teixeira (MDB), o defensor público Sérgio Muniz, o advogado Jeferson Vaz, presidente da OAB Ji-Paraná, André Moreira, presidente da CDL, prefeitos e vereadores da região também estiveram presentes. 

    • O presidente Laerte Gomes reforçou que 'essa é uma causa que une a todos: trabalhadores, produtores rurais, empresários, comerciantes e aposentados. É muito sofrimento da população que não consegue pagar mais a conta de energia. O cidadão de uma renda menor, tem que escolher pagar a energia ou comprar comida para a família. Isso não podemos aceitar', destacou. 

    • Ele disse ainda que 'quero reafirmar aqui que a CPI não vai ceder às pressões e ameaças, mantendo firme o trabalho de ouvir a população, reunindo depoimentos e documentos. A CPI tem todo o nosso respaldo e façam o que precisa ser feito. Se teve uma instituição que deu a cara a tapa para enfrentar essa empresa, que comprou essa briga, em nome da população, foi a Assembleia Legislativa e estamos aqui para reafirmar esse propósito'. 

    • Alex Redano agradeceu publicamente ao presidente da Assembleia Legislativa por ter, desde o primeiro momento, dado todo o apoio necessário à condução dos trabalhos da CPI. 'A ideia hoje aqui é ouvir vocês. Precisamos comprovar esses abusos e irregularidades. Esse aumento de 25% é pra inglês ver. Temos casos de energia desligada na residência e o medidor ligado', completou. 
    • Redano afirmou que 'estamos fazendo a nossa parte, e tenho certeza de que teremos avanços com os trabalhos da CPI e o apoio da população. Como disse o presidente Laerte, não vamos recuar e vamos seguir firmes nessa missão'. 
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    • Dívida 
    • Jair Montes deixou um recado para a Energisa: 'aqui não é uma terra sem lei, uma terra de ninguém. A empresa pagar R$ 50 mil na Ceron e agora não quer pagar mais de R$ 1,7 bilhão de dívida e desrespeita as pessoas e instituições. Temos que nos unir e fortalecer esse movimento contra essa empresa. Temos que repudiar. Ou a Energisa se enquadra ou vai embora. Não vai fazer o que quer e maltratar a população, como tem feito. 
    • O relator lembrou que, até o momento, a CPI já descobriu convênios da Energisa com o Ipem, com a Polícia Civil e que o Procon, ao longo de anos, não ingressava com ações. 'Os convênios foram suspensos e o Procon passou a dar tramitação às denúncias que recebe. Iríamos ter um aumento de 19% na conta de energia, mas conseguimos arquivar na Aneel essa aberração', completou. 

    • Montes anunciou que a CPI irá encaminhar o relatório final para o Congresso Nacional, Polícia Federal, Ministério Público Federal, e outros órgãos e instituições. 'Como relator, não vou ceder uma linha. Vou agir com retidão e transparência, mas sem deixar de cobrar o respeito à população do Estado. Estamos nos mobilizando e em vários Estados há CPI semelhantes e a expectativa é de que tenhamos uma CPI sobre o sistema energético nacional'. 

    • Cirone Deiró afirmou que 'o clamor da população, do campo e da cidade, é enorme. A Energisa precisa respeitar o povo de Rondônia. Produtores rurais perdendo a produção, empresa perdendo negócios, com falta de energia ou por não poder pagar a conta tão elevada. Como disse o deputado Jair Montes: que a empresa ou respeite Rondônia, ou vá embora. Contem com o nosso trabalho e o nosso empenho, mas a força da população é fundamental nesse enfrentamento'. 

    • Cassia Muleta declarou que 'essa casa cheia faz a nossa CPI ainda mais forte. Lutar contra uma empresa poderosa, precisa do apoio de todos. Estamos cansados de pagar uma energia tão cara, com cortes sem nenhum critério e nenhum respeito'. 
    • Cabo Jhony ressaltou que a empresa não tem respeitado as leis em vigor. 'Ela passa por cima de tudo e de todos. Colocamos nossa equipe à disposição para receber as contas dos consumidores que apresentam grandes alterações nos valores, 
    • 'Eu estou comprando um relógio em Brasília para auferir a energia de um cidadão, que teve a conta saindo de R$ 1.000 para R$ 11 mil. Vamos colocar esse medidor ao lado do medidor da Energisa, para atestar se isso está correto', anunciou. 

    • Cabo Jhony denunciou que 'os membros da CPI estão sendo ameaçados, estão sendo perseguidos. Mas, não vamos recuar. Por outro lado, temos informações que nos deixam estarrecidos, como a dada pelo IPEM, de que a variação na tarifação do consumo de energia, pode ser de até 40%. Isso é inaceitável'. 
    • Jhony também manifestou seu voto contrário de qualquer tipo de desconto para dívida da empresa Energisa, que deve mais de R$ 1,7 bilhão. 'Não vamos dar um centavo de desconto. Nada de moleza, nada de isenção de imposto. Se a empresa botar a viola no saco e for embora, não vamos perder nada. Desde que ela apareceu aqui, só serviu para tirar o sono do cidadão'. 
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    • Debates 
    • O vereador de Ji-Paraná Joaquim Teixeira disse que a empresa tem tratado a todos com abuso e desrespeito, como se o município fosse uma terra sem lei e sem representantes. 'Essa CPI é para dar voz ao povo, que não aguenta mais ser humilhado, desrespeitado pela Energisa'. 

    • O presidente da CDL declarou que a palavra que representa a atuação da Energisa é abuso. ' Prejudica o comércio, que acaba demitindo e o empregado fica com a conta alta de energia para pagar, sem trabalho. Antes, a gente sofria com a falta de energia, mas agora sofremos com a energia mais cara que Rondônia já viu. Somente com a mobilização da sociedade é que possamos enfrentar esse problema'. 

    • A empresária Helione Souza, que fez um vídeo com denúncias contra a Energisa, que viralizou fez um desabafo. 'Minha energia de R$ 354 foi para R$ 980. Busquei a empresa e fui informada de que o medidor havia sido trocado e que não havia nenhuma coisa errada. Após o vídeo viralizar, a empresa se manifestou e disse que haveria um erro, mas se eles não foram lá novamente, como eles iriam corrigir?' 
    • A professora Hélia Lopes, moradora de Ji-Paraná há 35 anos, disse que pagava pouco mais de R$ 120 e passou para R$ 360. 'Somos reféns de uma empresa que não respeita os nossos direitos, precisamos de apoio e que haja uma solução'. 

    • Outro desabafo foi da jornalista Ellen Basso, que também teve vídeo viralizado em redes sociais, relatando abusos da empresa. “Sou prova viva de que a energia triplicou o valor. Peço que lutem por nós, não deixem que retirem da população o dinheiro para eles pagarem a conta e para ganharem mais'. 
    • O advogado Gabriel Tomasete declarou que 'estamos diante do maior estelionato de Rondônia. Precisamos dar as mãos, pois há muita coisa ainda embaixo do tapete e precisamos nos fortalecer para enfrentar essa luta. Parabéns à CPI por estar tomando a frente nessa empreitada'. 

    • O morador Elias Paiva levou um exemplar da Constituição Federal, durante seu discurso. 'Em 1988, ganhei uma Constituição e comecei a ler. Mas de lá para cá, foram mais de 200 emendas. Isso prova o desrespeito com o cidadão brasileiro. Minha energia foi cortada, o relógio sumiu e não sei o que aconteceu. Uma dúvida: devo registrar um boletim de ocorrência? O buraco é muito mais embaixo e estamos sofrendo demais. Somos roubados. Uma vergonha!', bradou. 
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    • Idosa reclama 
    • A aposentada Dona Inácia, aos 84 anos, declarou que 'quando a gente vivia com energia de motor, era muito melhor. Eu deixei de comprar meus remédios para pagar a energia esse mês. Funcionários da Energisa foram na minha casa, entraram sem se anunciar, tiraram o relógio, dizendo que iam mandar para a análise'. 
    • Em seguida, ela disse que 'desde então, o nosso talão de energia só aumenta. Em junho, pagamos R$ 232 de conta. Desligamos tudo dentro de casa e o medidor continua trabalhando. Em julho, a conta veio R$ 366. Agosto foi para R$ 416. E setembro R$ 668. Como quem vive de salário mínimo paga uma conta dessas?'. 
    • 'Em nome da sociedade, peço socorro. É uma falta de respeito. A gente precisa aproveitar essas oportunidades e botar a boca no trombone. Vocês estão me vendo com essa bengalinha, mas tenho força de vontade e se preciso, eu vou à Brasília, faço abaixo assinado e falo com quem for preciso', completou. 
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    • Lideranças 
    • O prefeito Marcito Pinto declarou que 'quem vendeu Rondônia para uma empresa que não está nem aí para ninguém? É de ficar indignado. Ninguém gosta de ser desrespeitado. O que temos é desrespeito, que não está preocupado com a conta da população de Ji-Paraná. Que vendeu a Ceron desse jeito e nos entregou no pacote?'. 
    • Ele também disse que 'a Energisa está agindo para aumentar o valor das taxas de iluminação. Eles já fizeram estudos, sem o nosso conhecimento, com a recontagem de postes, inclusive, e querem desligar a rede em áreas não legalizadas. Não vão fazer o que querem. Respeitem a cidade, respeitem o cidadão'. 
    • O ex-deputado estadual Euclides Maciel disse que se a conta no final do mês continuar subindo, a população de Ji-Paraná deveria se mobilizar para fechar as usinas do Madeira, numa grande ação popular. 
    • O vereador Marcelo Lemos (PSD) fez um pronunciamento junto com os demais vereadores, informando que mais de mil contas chegaram aos gabinetes, com valores estratosféricos. 
    • 'Já não tá bom, mas a empresa ainda pediu aumento de 19%, que se não fosse o presidente Laerte, teria sido aprovado pela Aneel. Temos casos de consumidor que pagava R$ 3 mil e agora paga R$ 5 mil. Um catador de latinhas pagava menos de R$ 100 e agora veio mais R$ 350. São vários casos e isso precisa acabar. Não tem explicação'. 
    • O produtor rural Nivaldo de Souza disse que foi informado de que, “até final do mês, o morador do campo que não fizer o seu recadastramento junto à Energisa, vai deixar de pagar a tarifa rural e passar a pagar a tarifa urbana, que é maior. A maioria das pessoas ainda nem sabe disso e vai sofrer mais esse abuso'.




     

    Fonte - Eranildo Costa Luna-Decom-ALE/RO

    Fotográfo - Diego Queiroz-ALE/RO

     
     
     
     
     
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