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  • A história do Pastor Isidório: ex-gay e deputado mais votado da Bahia

    Política
    5 minutos de leitura

    Paulo Portaljipa EM 23/03/2019 ÀS 18:41:50

    A história do Pastor Isidório: ex-gay e deputado mais votado da Bahia


    Ser gay é um pecado, acredita Pastor Sargento Isidório, eleito deputado federal em 2018 pelo Avante. Segundo sua interpretação da Bíblia, a homossexualidade é uma transgressão tão grave quanto roubar ou matar. A razão, ele explicou: “O pior pecado é a negação da espécie, porque homem com mulher vem filho. Homem com homem não vem nada”. Frases como essas são proferidas pelo deputado — o mais votado da Bahia, com 323 mil votos — sem qualquer lustre politicamente correto, seja em suas lives no Facebook, em suas pregações (ele é pastor da Assembleia de Deus) ou em seus discursos no plenário da Câmara. Um de seus projetos, apresentados nos primeiros dois meses de mandato, é a criação do “Dia do Hétero”, no intuito de fazer frente à tendência que avalia existir no mundo de premiar o indivíduo que é homossexual. Isidório se autoproclama ex-gay e prega que a homossexualidade é uma escolha — e que se dá por três vias: pelo que ele chama de “safadeza”, que significaria ceder aos desejos sexuais mais “profanos”; pelo estímulo da “mídia”; ou porque pais e mães, no período da gravidez, desejaram um bebê de gênero contrário ao do nascimento do filho. O pastor não diferencia gênero de sexualidade. Ele também defende que a reparação à discriminação histórica de minorias não seja concentrada apenas nos gays. “Os negros, por exemplo, ainda não têm reparação. Negro não escolhe ser negro. Já a questão sexual é uma escolha”, arrematou o deputado.

    Manoel Isidório de Santana Junior não esconde seu passado. Usa-o como combustível para as pregações que faz diariamente na Fundação Doutor Jesus, projeto social de tratamento de dependentes químicos que fundou em Candeias, Região Metropolitana de Salvador, há 27 anos e para o qual recebe repasses de dinheiro do governo da Bahia. Filho de um lar desfeito — a mãe, dona Maria José, costureira, foi abandonada pelo pai, seu Maneca, funcionário da Petrobras —, aos 6 anos Isidório começou a sofrer abuso de um primo que eventualmente aparecia em sua casa e dormia em seu quarto. O primo era cabo do Exército. Os abusos perduraram até Isidório ter cerca de 12 anos. Aos 16, ele conseguiu o primeiro emprego de carteira assinada, como cobrador de ônibus. A liberdade financeira, diz ele, conduziu-o para os excessos. Largou os estudos, a igreja batista que frequentava, passou a beber, fumar e usar drogas. Foi também nesse período que passou a se relacionar com homens, numa rotina que ele classifica como promíscua e que perdurou para além de seus 30 anos. Hoje ele tem 56.

    O passado gay de Isidório só veio à tona recentemente. Quando se lançou na política estadual, em 2001, era um típico representante de corporação, defendendo os interesses de policiais nas greves da PM que ocorreram em alguns estados e que suscitaram até mesmo o esboço de um plano de intervenção militar por parte do governo. Ao ser preso durante um protesto, foi deixado próximo a um depósito de produtos químicos que causaram uma intoxicação que o levou à UTI e afetou suas cordas vocais. As greves lhe deram a notoriedade que terminou por elegê-lo pela primeira vez deputado estadual em 2002. Quem o conhece daqueles tempos não vê qualquer relação entre sua postura de então e o fundamentalismo religioso do presente. “Não se falava que ele era ex-gay ou ex-drogado. Ele era simplesmente uma liderança corporativista em formação. Não havia qualquer componente religioso no discurso”, disse uma liderança política baiana que o conhece desde aquela época.

    Ao mesmo tempo que se relacionava com homens durante a juventude, Isidório mantinha duas mulheres, com as quais teve sete filhos. Cada uma vivia em um extremo de Candeias, numa espiral de pobreza agravada pelo vício do companheiro. Depois de trabalhar como cobrador, Isidório foi contratado como auxiliar administrativo em uma empresa que prestava serviço para a Superintendência de Desenvolvimento Industrial e Comercial (Sudic) do governo da Bahia. O posto ficava na BR-324, que corta a Região Metropolitana de Salvador. Por conviver com frequência com policiais rodoviários, conta ter se maravilhado com as botas usadas pelos oficiais. Perguntou-lhes certa vez como fazer para ter uma igual. Recebeu como resposta: “Vire policial, mas não creio que a corporação aceite doidos”. Isidório então passou no concurso para policial militar, mas ficou frustrado quando descobriu que só teria direito às botas se passasse na prova para policial rodoviário. E foi o que fez. Atribui o sucesso em concursos ao excesso de vagas e não a seu desempenho acadêmico, já que não conseguiu completar sequer o ensino fundamental.

    Conciliar a boemia, as drogas e os relacionamentos homossexuais com a vida na polícia não era difícil, disse o deputado, que assegurou que sua família sabia de seu vício em álcool, mas não das drogas nem das incursões gays. Isidório emendava semanas, por vezes meses sem aparecer em casa. Quando visitava a mãe, ouvia reclamações de que trabalhava demais. A conduta nunca o fez sofrer retaliações no trabalho. Fardado, comportava-se como Isidório, o sargento. Na vida homossexual, preferiu não revelar se os parceiros eram também do quartel. “Não vale a pena relatar, porque essas pessoas, assim como eu, se transformaram”, contou. No período de maior convívio com a criminalidade soteropolitana, chegou a planejar assaltos com marginais, mas disse nunca ter consumado os atos. Isidório também afirmou nunca ter se apaixonado por um homem, apesar de tantos anos levando uma vida dupla. Disse que só teve relações homossexuais quando estava bêbado — o que era, basicamente, seu estado permanente fora do quartel até os 30 anos, período de sua transformação. Continue reading 

     

    Fonte - ÉPOCA

     
     
     
     
     
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