“A China está comprando o Brasil”, repete Bolsonaro em discurso a empresários em SP

Bolsonaro diz que Paulo Guedes não é só um "cartão de visita"

Política
4 minutos de leitura

Paulo Portaljipa EM 19/06/2018 ÀS 13:42:25

  “A China está comprando o Brasil”, repete Bolsonaro em discurso a empresários em SP


SÃO PAULO (Reuters) - O pré-candidato do PSL à Presidência da República, Jair Bolsonaro, disse nesta segunda-feira que a escolha do economista Paulo Guedes para assessorá-lo não foi apenas para “cartão de visita”, procurando reforçar o discurso liberal que vem adotando em questões econômicas.

“Nem ele aceitaria isso. É o meu consultor no momento”, garantiu Bolsonaro durante apresentação em evento de presidenciáveis organizado pela União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica), em São Paulo.

Ele também defendeu que a Petrobras tenha uma política de mercado para os preços dos combustíveis, mas criticou o monopólio da estatal. Bolsonaro também apontou a necessidade de um preço mínimo para o frete, ao mesmo tempo que criticou o tabelamento.

O presidenciável aproveitou para voltar a criticar as aquisições chinesas no Brasil, especialmente de terras, e afirmou que a segurança alimentar do país está em risco.

“Não podemos abrir as nossas terras agricultáveis”, disse. “A China está comprando o Brasil.”

LULA

Líder das pesquisas de intenção de voto nos cenários sem o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Bolsonaro disse que seria um “esculacho” se a 2ª Turma do Supremo Tribunal Federal aceitar um recurso da defesa e decidir soltar o petista.

-- “Vai ser a Segunda Turma, né, que tem um histórico de soltar todo mundo. Espero que isso não venha a acontecer, afinal de contas ele não tem os requisitos mínimos ainda para mudar de regime, se bem que ele está buscando um habeas corpus. Seria um esculacho da Justiça brasileira colocar em liberdade o senhor Lula.”

Antes, pelo Twitter, Jair Bolsonaro saudou a vitória eleitoral da direita colombiana:

“Parabéns, Colômbia e bom governo, Iván Duque! O Foro de São Paulo da máfia bolivariana precisa ser combatido e a população da América do Sul vem dando seu recado! Logo mais, se Deus quiser, no Brasil!”

No seminário da Única, e em diferentes momentos, Bolsonaro lembrou à plateia, formada por representantes do agronegócio e do mercado, que está seguindo os conselhos de Paulo Guedes, seu guru para propostas econômicas.

O deputado também falou de propostas como a flexibilização do Estatuto do Desarmamento e a liberação de porte de arma para proprietários rurais. “A arma defende a liberdade de uma nação”, disse, sob palmas de um grupo no auditório.
Aplausos se repetiram quando ele afirmou que o produtor rural hoje é tratado como bandido. O presidenciável disse que um eventual governo seu seria de desregulamentação, para diminuir a interferência do Estado na vida dos cidadãos e das empresas.

Sem perder a chance de criticar os governos petistas, Bolsonaro disse que a ex-presidente Dilma Rousseff tinha “rascunhado” a decretação de estado de defesa na época de seu impeachment, mas recuou após ser informada de que não teria apoio do Exército para a medida.

“A senhora Dilma Rousseff tinha rascunhado o decreto de estado de defesa, quando recebeu o input do senhor Aldo Rebelo, do Partido Comunista Brasileiro (sic), que era ministro da Defesa, que o comandante do Exército não acolheria aquela forma de interferir", disse o presidenciável do PSL. Aldo, na época, era filiado ao Partido Comunista do Brasil (PCdoB) e não ao Partido Comunista Brasileiro (PCB).

“Pelo que eu levantei, fiquei sabendo, o comandante não aceitaria o Estado de Defesa no Brasil artificial”, acrescentou.

Em entrevista à revista Veja em abril, o comandante do Exército, general Eduardo Villas Bôas, disse que a instituição chegou a ser sondada por políticos de esquerda, mas rejeitou a hipótese de apoiar a decretação de estado de defesa naquele momento.

Sem citar na entrevista quem seriam esses políticos, Villas Bôas disse que as Forças Armadas ficaram “alarmadas” com a perspectiva de serem empregadas para “conter as manifestações que ocorriam contra o governo”.

“Nós temos uma assessoria parlamentar no Congresso que defende nossos interesses, nossos projetos. Esse nosso pessoal foi sondado por políticos de esquerda sobre como nós receberíamos uma decretação do estado de defesa”, disse o general na entrevista.


 
 
 
 
 
 
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