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DRACMA: PF faz operação em 3 estados para combater lavagem de dinheiro do tráfico internacional - Fotos

Policial

POR Paulo Portaljipa EM 14/03/2019 ÀS 13:04:23

DRACMA: PF faz operação em 3 estados para combater lavagem de dinheiro do tráfico internacional - Fotos

    Os 26 inquéritos policiais, 36 relatórios fiscais e 86 laudos de perícia financeira que compõem a investigação apontam que grandes empresas comerciais-exportadores do estado de Rondônia mantêm, há anos, atividades secundárias de captação e administração de capitais.

 

A Polícia Federal, em conjunto com a Receita Federal e com apoio logístico do Exército Brasileiro, deflagrou nesta quinta-feira (14/03) a Operação Dracma com o objetivo de combater organização criminosa que atua na lavagem de capitais e evasão de divisas oriundas do tráfico internacional de drogas, além de sonegação fiscal, principalmente na cidade de Guajará-Mirim/RO. 220 policiais federais e 22 servidores da Receita Federal participam da operação para dar cumprimento à 72 mandados de busca e apreensão em diversas cidade dos Estados de Rondônia, Pará e Mato Grosso. 

 

A justiça determinou, ainda, o afastamento preventivo dos principais investigados (gerentes e proprietários) das suas funções nas empresas envolvidas com o esquema criminoso, e o sequestro de bens e valores dos investigados. Somados, os recursos bloqueados podem ultrapassar a cifra de R$70.000.000,00 (setenta milhões de reais).  

 

Os 26 inquéritos policiais, 36 relatórios fiscais e 86 laudos de perícia financeira que compõem a investigação apontam que grandes empresas comerciais-exportadores do estado de Rondônia mantêm, há anos, atividades secundárias de captação e administração de capitais, remessa e conversão de câmbio, direta ou indiretamente, de pessoas físicas que se dedicam à prática do tráfico de drogas e outros crimes.

 

Como funcionava o esquema?

  • Em vez de repatriado, parte do lucro das grandes empresas distribuidoras/exportadoras era encaminhado diretamente aos cambistas da Bolívia para fim de custódia de valores.
  • Durante dez anos, centenas de milhões de reais foram enviados de traficantes do Pará e Nordeste para contas de pequenas empresas físicas em Rondônia, as chamadas "contas de passagem".
  • Segundo a PF, depois de receberem os valores, os suspeitos intermediários faziam depósitos sucessivos nas grandes empresas distribuidoras em Rondônia. Estas empresas recebiam os recursos e emitiam as autorizações de pagamentos.
  • Estas autorizações de pagamentos são classificadas como cheques ou vouchers, que, após serem efetuadas, credenciavam o portador a sacar o valor nele inscrito em algum cambista na cidade boliviana de Guayaramerin.
  • A PF diz que não havia qualquer emissão de nota fiscal pela quadrilha para sustentar a licitude.
  • Os portadores dos cheques ou vouchers sacavam os valores nos cambistas bolivianos e assim faziam o pagamento de drogas adquiridas na Bolívia.
  • Após serem remunerados, os traficantes na Bolívia forneciam as drogas que abasteciam o tráfico em cidades do Nordeste e do interior do Pará.

Além de agirem como verdadeiras instituições financeiras, segundo a PF, foi descoberto que as empresas de grandes portes se usavam irregularmente dos benefícios tributários destinados exclusivamente no livre comércio de Guajará-Mirim, cidade a cerca de 300 quilômetros de Porto Velho.

São cumpridos 72 mandados de busca e apreensão em cidades de Rondônia, Pará e Mato Grosso.  — Foto: Polícia Federal/ Divulgação São cumpridos 72 mandados de busca e apreensão em cidades de Rondônia, Pará e Mato Grosso.  — Foto: Polícia Federal/ Divulgação São cumpridos 72 mandados de busca e apreensão em cidades de Rondônia, Pará e Mato Grosso. — Foto: Polícia Federal/ Divulgação

Para as empresas de grande porte, a vantagem do esquema criminoso era a apresentação ao fisco de lucro formal, além do valor efetivamente conquistado e o consequente pagamento de tributos "a menor".

Segundo a PF, os intermediários do grupo criminoso recebiam entre 1% e 5% dos valores recepcionados e encaminhados à Bolívia. Isto era feito a título de remuneração.

Operação Dracma em Rondônia nesta quinta-feira, 14 — Foto: PF/DivulgaçãoOperação Dracma em Rondônia nesta quinta-feira, 14 — Foto: PF/DivulgaçãoOperação Dracma em Rondônia nesta quinta-feira, 14 — Foto: PF/Divulgação

Porto Velho

Ainda não foi divulgado o número de mandados de prisão cumpridos em Porto Velho, mas desde cedo os agentes da PF estão indo a vários endereços em busca dos suspeitos investigados. Um dos imóveis vasculhados pelos agentes da PF fica no bairro Agenor de Carvalho.

Pelo menos seis empresários devem ser levados pela PF para prestar esclarecimentos.

Operação Dracma é realizada em Porto Velho nesta quinta-feira — Foto: Carolina Brazil/Rede AmazônicaOperação Dracma é realizada em Porto Velho nesta quinta-feira — Foto: Carolina Brazil/Rede AmazônicaOperação Dracma é realizada em Porto Velho nesta quinta-feira — Foto: Carolina Brazil/Rede Amazônica

Dracma

O nome da operação, Dracma, é uma alusão à antiga moeda da Grécia, que tinha a necessidade de seguir o rastro do dinheiro durante as investigações dessa natureza.

Dracma era a mais antiga moeda ainda em circulação no mundo, sendo que esta é usada desde o primeiro século depois de Cristo (d.C).

VEJA FOTOS DA OPERAÇÃO EM RONDÔNIA

Ação da PF em Guajará-Mirim  — Foto: PF/DivulgaçãoAção da PF em Guajará-Mirim  — Foto: PF/DivulgaçãoAção da PF em Guajará-Mirim — Foto: PF/Divulgação
 

Fonte - Assessoria

 
 
 
 
 
 
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