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Criança mata duas pessoas e diz não sentir nada: “Durmo tranquilo”

Garoto de doze anos do Recife foi liberado pela Polícia porque não tinha idade legal para ser apreendido

Policial

POR Paulo Portaljipa EM 23/01/2019 ÀS 18:10:01

Criança mata duas pessoas e diz não sentir nada: “Durmo tranquilo”

Pai alcoólatra, mãe desempregada, irmão traficante e foragido por homicídio, infância pobre e marcada pela fome na comunidade Beira Rio, no bairro do Pina, Zona Sul do Recife. Este é o resumo social do garoto de 12 anos que impressionou até mesmo os policiais do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) pela frieza glacial ao relatar a experiência de matar duas pessoas: “Sinto nada. Durmo tranquilo”, respondeu a criança ao atônito delegado Alaumo Lima.

Encontrado por policiais militares na frente de sua casa na noite de terça-feira (22), foi conduzido à delegacia, de onde foi liberado poucas horas depois ao lado da mãe, que, emocionada, tentava explicar a tragédia familiar à imprensa: “Não justifica. Eu sou a culpada por tudo isso aí. Não queria que ele fizesse isso, não (chorando). Tentei dar conselho a eles. Tirar ele daqui”, falou, aos prantos, enquanto o filho ameaçava alguns repórteres que cobriam sua saída da unidade policial.

Assassino confesso de Paulo Alberto Gonçalves da Silva, 68 anos, o menino matou o idoso no domingo (20), após ser agredido por ele. A vítima acusava o garoto de danificar o seu carro. Há um mês, cometeu o primeiro homicídio, desta vez vitimando o cadeirante José Ricardo Silva, de 44 anos. As circunstâncias do primeiro assassinato ainda não foram esclarecidas pela Polícia.

Seguindo o que determina o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), o delegado liberou o garoto porque  jovens infratores só podem ser apreendidos a partir de 13 anos de idade. Em tese, o episódio se resumiu a uma notificação ao Ministério Público de Pernambuco.

Irmãos de sangue

A vida precoce no mundo do crime teve os primeiros capítulos com passagens por porte de drogas e assaltados no entorno da comunidade Beira Rio. As investigações dão conta de que os delitos seriam orientados por um irmão traficante, que estaria foragido.

Com o parente mais velho fora de cena, seria do garoto  de 12 anos a responsabilidade de sustentar uma família numerosa, formada pelos pais e seis irmãos. “Eles passam fome lá. Tem hora que a gente não tem um pão pra comer. Meu filho fica com necessidade”, acrescentou a mãe, ao narrar o cotidiano doméstico.

Portal OP9 procurou a assessoria de comunicação do Ministério Público de Pernambuco e o órgão informou que ainda não recebeu notificação do ato infracional.

 

Fonte - Portal

 
 
 
 
 
 
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