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  • UE pressiona Bolsonaro e vincula pacto do Mercosul à defesa da Amazônia

    Mundo
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    Paulo Portaljipa EM 09/09/2019 ÀS 11:50:19

    UE pressiona Bolsonaro e vincula pacto do Mercosul à defesa da AmazôniaSÃO PAULO, SP, E PARIS, FRANÇA  - Os países-membros da União Europeia seguem dando crédito ao acordo comercial firmado com o Mercosul, mas já não têm meias palavras ao vincular sua implementação à agenda do governo para a Amazônia e o combate ao aquecimento global.

    O sentimento europeu fica evidente em enquete feita pela Folha de S.Paulo com as chancelarias dos 28 membros do bloco. Destes, 17 responderam, 8 se calaram e 3 disseram que não participariam.

    Dos que responderam à reportagem, somente Irlanda e França ameaçam claramente suspender a tramitação do acordo até que haja medidas concretas do governo de Jair Bolsonaro (PSL) para proteger a Amazônia.

    Os outros 15, com maior ou menor grau de dureza, dizem estar comprometidos com o acordo comercial, mas usam a questão ambiental como instrumento de pressão.

    Maior economia do bloco, a Alemanha afirmou à Folha de S.Paulo que sua posição está expressa numa fala do ministro das Relações Exteriores, Heiko Maas, do último dia 27. 'As políticas ambiental e climática são centrais para a avaliação do acordo [com o Mercosul]. É especialmente importante reforçar esse ponto no atual momento', declarou o ministro.

    O mesmo tom de ameaça velada adota a Holanda. 'A União Europeia deve estar preparada para usar suas relações comerciais de uma forma inteligente e estratégica, para exercer pressão caso necessário', disse a ministra das Relações Exteriores, Sigrid Kaag, também via assessoria.

    O acordo foi fechado em junho após 20 anos de negociação e reúne economias que, somadas, têm PIB de US$ 22 trilhões e população de 777 milhões de pessoas.

    Mais de 90% das tarifas entre os dois blocos devem ser eliminadas quando o acordo comercial estiver implementado, o que ainda deve demorar ao menos dois anos.

    Para entrar em vigor, contudo, é preciso que uma série de etapas sejam cumpridas, a primeira delas a aprovação pelo Conselho Europeu, que reúne os governos dos 28 países (em breve 27, com a iminente saída do Reino Unido do bloco).

    Provavelmente o acordo precisará do apoio combinado de países que representem 65% da população, embora as regras para aprovação ainda não tenham sido detalhadas pelas partes. Depois, a parte comercial do acordo tem de passar pelo Parlamento Europeu.

    Outros temas, inclusive os de meio ambiente, precisam ainda ser aprovados pelos Legislativos nacionais. Os quatro sócios sul-americanos (Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai) também devem chancelar o acordo.

    Alguns dos menores Estados-membros da União Europeia estão entre os mais vocais na cobrança ao Brasil, talvez porque sabem que podem ser o fiel da balança para a aprovação do acordo.

    Com 2 milhões de habitantes e uma área comparável à de Sergipe, a Eslovênia disse em nota que 'o sucesso do acordo depende do respeito a normas e princípios comuns, particularmente na área do desenvolvimento sustentável e da luta contra a mudança climática'.

    Ainda menor, Luxemburgo, com 600 mil habitantes e um terço da área da Grande São Paulo, afirmou em nota que a agenda ambiental é uma 'precondição' para o acordo comercial.

    'Gostaríamos de ver um claro empenho político na implementação do Acordo de Paris [sobre o clima] e na luta contra o desmatamento antes de o acordo UE-Mercosul ser concluído', afirmou a chancelaria do pequeno país.

    Já a Suécia afirma que 'ainda é' favorável ao acordo comercial. 'Ao mesmo tempo, é essencial que nossos parceiros de comércio contribuam para a resposta global à ameaça de mudança climática', declarou o Ministério das Relações Exteriores do país nórdico.

    A desconfiança dos europeus sobre o empenho brasileiro no combate ao aquecimento global não é gratuita.

    Já colocaram em dúvida esse fenômeno, que tem amplo consenso entre cientistas, o ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, os filhos de Bolsonaro e o filósofo Olavo de Carvalho, entre outras pessoas próximas do presidente.

    A Finlândia chega a elogiar o Brasil por ter 'ao longo dos anos, realizado um bom trabalho na redução do desmatamento'. Mas, deixando de lado o tom elogioso, cita a adesão de Brasília ao Acordo de Paris e acrescenta que 'a comunidade internacional conta com que o Brasil honre seus compromissos ambientais'.

    Os belgas fazem chamamento parecido. 'Esperamos mesmo que o Brasil respeite seus engajamentos em acordos internacionais, como o de Paris, e aja de forma responsável dentro dos limites do multilateralismo no que se refere a clima e comércio.'

    A chancelaria da França, país com quem Bolsonaro antagonizou de modo mais ríspido nos últimos dias, afirmou que a posição de Paris 'foi expressa claramente pelo presidente da República [Emmanuel Macron] e pelo chanceler [Jean-Yves Le Drian]'.

    Macron acusa o presidente brasileiro de ter mentido sobre seu compromisso em defesa do meio ambiente na cúpula do G20 no Japão, em junho.'

    Também procurada, a Irlanda apenas reiterou seu posicionamento expresso anteriormente pelo primeiro-ministro, Leo Varadkar, de que 'não há nenhuma chance de votarmos a favor se o Brasil não honrar seus compromissos ambientais'.

    Entre os que pegam leve com o governo brasileiro estão os britânicos, para quem a implementação do acordo não deverá ser uma questão real, dado que devem sair do bloco.

    O país é governado por Boris Johnson, um populista conservador de estilo em muitos aspectos parecido com o do brasileiro, o que talvez explique o tom morno adotado.

    'Certamente penso que é melhor conversar do que fazer intimidação com megafone. Temos de convencê-los [os brasileiros] a usar métodos sensatos para reduzir o problema', afirmou Christopher Pincher, ministro do governo para as Américas, ao ser questionado por deputados no Parlamento.

    Dos questionados pela reportagem, Itália, Chipre e Dinamarca declinaram da sondagem para participar do levantamento.

    Já os países que não responderam aos pedidos foram Grécia, Hungria, Malta, República Tcheca, Polônia, Romênia, Áustria e Croácia.

    Enquete com europeus sobre acordo comercial

    Países que responderam - Alemanha, Bélgica, Bulgária, Eslováquia, Eslovênia, Espanha, Estônia, Finlândia, França, Holanda, Irlanda, Letônia, Lituânia, Luxemburgo, Portugal, Reino Unido e Suécia

    Países que se abstiveram - Chipre, Dinamarca e ItáliaPaíses que não responderamÁustria, Croácia, Grécia, Hungria, Malta, Polônia, República Tcheca e Romênia

    28 é o total de países-membros da União Europeia

    20 anos foi o tempo levado para o bloco europeu fechar o acordo comercial com o Mercosul

     

    Fonte - (FOLHAPRESS)

     
     
     
     
     
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