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Rotas alternativas: Refugiados sírios usam do Ártico à Amazônia para chegar à Europa

Imigrantes caminham sob trilhos na fronteira entre Sérvia e Hungria Um voo entre Damasco e Paris não dura mais de 3 horas. Mas, para centenas de sírios que tentam chegar &agrav...

Mundo

POR Paulo Portaljipa EM 31/08/2015 ÀS 00:26:49

Rotas alternativas: Refugiados sírios usam do Ártico à Amazônia para chegar à Europa

Imigrantes caminham sob trilhos na fronteira entre Sérvia e Hungria



Um voo entre Damasco e Paris não dura mais de 3 horas. Mas, para centenas de sírios que tentam chegar à Europa, a trajetória tem sido bem mais longa. Autoridades europeias revelaram que os refugiados estão pagando traficantes para os levar para o destino europeu usando rotas alternativas que incluem desde passagens pelo gelo entre a Rússia e Noruega, até o uso do território brasileiro.

Neste sábado, a polícia austríaca resgatou três crianças à beira da morte de um veículo carregado com 26 imigrantes em uma estrada do país.

Os policiais o perseguiram até conseguirem pará-lo em Branau. Ao abrirem o contêiner, encontraram sírios, afegãos e refugiados de Bangladesh. As três crianças retiradas foram internadas em estado crítico e com desidratação. Médicos indicaram que elas poderiam estar mortas em poucas horas se não fosse pela operação. Na noite de sábado, elas estavam fora de risco.

O novo caso, um dia depois do descobrimento de 71 corpos em um caminhão numa estrada austríaca, revelou que grupos criminosos continuam a operar, apesar das mortes a cada dia.

Mas se as fronteiras europeias são as mais visadas, alguns grupos chegam a propor rotas alternativas. Uma delas é a possibilidade de sírios viajarem até a Rússia e, de lá, cruzarem para a Noruega, em pleno Ártico. Desde janeiro, mais de 130 pessoas teriam usado a rota.

Outra é o Brasil. Grupos criminosos oferecem passaportes falsos para sírios embarcarem em Istambul em direção a São Paulo. Por 4 mil euros, cada refugiado é levado de ônibus até a Guiana Francesa e, dali, embarca para Paris. No início do ano, um grupo de sírios chegou a ser preso, obrigando a OAB a agir.

O governo da Alemanha anunciou que prendeu 1,7 mil traficantes de pessoas desde o início do ano, enquanto as investigações apontam que apenas o trecho entre a Hungria e Áustria pode custar ao imigrante cerca de 1,2 mil euros (cerca de R$ 4.800). No caminhão com 71 mortos, as estimativas são de que os grupos criminosos lucraram pelo menos 120 mil euros com o trajeto.

Sábado, os quatro suspeitos de envolvimento na morte no caminhão compareceram diante de uma corte húngara e foram acusados formalmente de tráfico de seres humanos. Três búlgaros e um afegão, que haviam sido presos na Hungria, na sexta-feira, deverão ser extraditados para Viena.

O caso se transformou em um espelho da crise que vive a Europa diante do maior fluxo de refugiados desde a 2ª Guerra. No entanto, para a ONU, são as barreiras europeias que estão permitindo que as redes criminosas possam se proliferar.

Apesar de tentar dar demonstrações de endurecer a repressão contra o crime organizado, os governos europeus foram criticados por viverem uma "crise de solidariedade". Ban Ki-moon, secretário-geral da ONU, pediu uma "resposta política coletiva" por parte da Europa e caminhos legais para que os imigrantes possam entrar no continente.

No mesmo dia em que os 71 refugiados morreram no caminhão na Áustria, mais 200 naufragaram nas costas da Líbia. Ontem, milícias líbias vasculharam as cidades costeiras em busca de traficantes para "fazer justiça".

Criticada por ONGs de defesa dos direitos humanos e pela ONU, a chanceler alemã, Angela Merkel, indicou que a crise de imigração é um desafio maior para os europeus do que a turbulência grega.

Diante da falta de ação, Ban convocou uma reunião de emergência para o final de setembro, lembrando que são os conflitos armados pelo mundo que causam esse fluxo gigantesco de pessoa. "A guerra na Síria acaba de se manifestar num acostamento da Europa", afirmou o secretário-geral da ONU, em referência ao caminhão com 71 pessoas.


 


 

Fonte - Estadão

Fotográfo - Divulgação

 
 
 
 
 
 
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