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    Chile arde e ninguém sabe como apagar o fogo

    Mundo
    3 minutos de leitura

    Paulo Portaljipa EM 12/11/2019 ÀS 02:03:25

    CHILE: ARDE SANTIAGO?


     

    Quem podia imaginar que o modelo chileno, exemplo para muitos países no mundo, era um vulcão em ebulição, mas ninguém esperava que explodisse. Se dizia que este modelo democrático não apresentava fissuras, pois a estrutura econômica era quase perfeita. Esta perfeição era ‘’para inglês ver”, preparada para não mostrar defeito nenhum, pelo contrário, era o paraíso dos empreendedores e imigrantes latinos.

     

    Mas o vulcão explodiu, o que não parecia estranho para um país acostumado aos ‘’tremores sismológicos’’ diários. Mas a lava do vulcão não aguentou mais ficar submersa dentro dele, esperou uma pequena fissura, 30 pesos, e começou a sair pela boca. Onde estava a falha deste perfeito modelo? Podemos identificar alguns fatores que existiam, mas não eram considerados pelo comando político institucional:

     

    1.               Empobrecimento massivo da classe média e baixa (90%) pelo excessivo encarecimento das tarifas públicas, pedágios, remédios e educação;

     

    2.               Não sanção para os casos de corrupção contínuos dos empresários e políticos, ou seja, a falta de uma “lava jato’’. As sanções para os culpados eram assistir a um curso de ética;

     

    3.               Centralização excessiva do Estado sobre as regiões, onde para mudar o trânsito de uma rua deveria ser aprovada pelo ministério dos transportes;

     

    4.               Incapacidade de solucionar o conflito com os povos indígenas (mapuches);

     

    5.               Incapacidade de controle do tráfico de drogas que domina amplos bairros de Santiago;

     

    6.               Endividamento “de por vida” dos estudantes ao terminar seus estudos universitários, enfrentando um mercado competitivo e de baixos salários;

     

    7.               A previdência ‘’privada’’ está gerando uma massa de chilenos que beiram a extrema pobreza, faz o alto valor dos remédios (os mais altos da América Latina);

     

    8.               O voto não obrigatório tem gerado uma classe política insensível às demandas sociais da população, mas muito sensível à corrupção e aos altos salários: o salário integral do senador é US$ 40 mil e o salário mínimo US$ 500.

     

    Todas essas razões e mais outras não podiam manter um modelo ‘’perfeito’’ como se falava, pois macroeconomicamente apresentava indicadores de primeiro mundo, mas microeconomicamente mostra padrões de terceiro mundo. Deve-se mudar a estrutura macro institucional e econômica, onde não pode seguir existindo que 5 famílias controlam 90% do PIB e o resto “se vira’’ diariamente no metrô.

     

    As mudanças chegaram para ficar, onde os atores desta mudança não estão no Palácio de La Moneda e, muito menos, no congresso e nos grupos econômicos. Eles estão na rua ou viajando de metrô, onde todos são iguais.

     

    *Rene Berardi é doutor em sociologia e atua como professor do ISAE Escola de Negócios (www.isaebrasil.com.br)

     

     

    Fonte - *Por Rene Berardi

     
     
     
     
     
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