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El Niño mais forte dos últimos 18 anos seguirá até junho de 2016, segundo Bureau of Meteorology

El Niño mais forte dos últimos 18 anos seguirá até junho de 2016, segundo Bureau of Meteorology Meteorologistas do Bureau of Meteorology da Austrália, em estudo c...

Meteorologia

POR Paulo Portaljipa EM 19/10/2015 ÀS 01:14:47

El Niño mais forte dos últimos 18 anos seguirá até junho de 2016, segundo Bureau of Meteorology

El Niño mais forte dos últimos 18 anos seguirá até junho de 2016, segundo Bureau of Meteorology



Meteorologistas do Bureau of Meteorology da Austrália, em estudo conjunto com o National Oceanic and Atmospheric Administration (NOAA), divulgaram nesta sexta-feira (16) que o atual fenômeno El Niño, no Oceano Pacífico Equatorial, já atingiu anomalias parecidas, em parte, ao evento de 1997.
Os valores anômalos, que por consequência, também atingem o Oceano Índico, são os maiores desde 2006, o que interfere no regime de precipitação e de temperatura em todo o planeta Terra.
Os pesquisadores adiantaram que o atual Niño resistirá intenso até o final de 2015, com diminuição no primeiro trimestre de 2016.
No entanto, o Índice Oceano Dipolo (IOD), que afere a anomalia de temperatura do Oceano, mostra um cenário pessimista até junho do ano que vem.
A temperatura da superfície do mar (TSM) no centro e leste do Oceano Pacífico Equatorial sofreu um aquecimento nos últimos dias consolidando a grande energia gerada pelo El Niño e suas consequências. Já na região sul da Indonésia, as águas arrefeceram dando um reforço no IOD positivo.
O Bureau of Meteorology enfatizou que as anomalias de temperatura positiva devem continuar até o início do outono do ano que vem, por volta de março ou abril, o que vem sendo previsto e confirmado desde que o fenômeno se configurou.
Os efeitos do El Niño mais intenso em quase 20 anos são notórios ao redor do planeta, com o agravamento da estiagem no sul da Austrália e em boa parte do sul da Ásia, bem como a persistência de ondas de calor devido aos bloqueios atmosféricos no Centro-Oeste, Nordeste, Norte e Sudeste do Brasil.
A chuva em excesso que tem caído no Sul brasileiro, também é reflexo do comportamento do El Niño no Oceano Pacífico Equatorial, garantem os meteorologistas australianos, pois há uma mudança no padrão de escoamento do vento em altitude, principalmente, com a Corrente de Jato Subtropical (CJS), que bloqueia o deslocamento natural das frentes frias e retarda a configuração da Alta da Bolívia (AB), anticiclone em níveis altos responsável por espalhar a umidade amazônica pelo país.
O monitoramento comparativo nas regiões de Niño indicou valores entre 0,1°C e 0,2°C mais quente com relação às últimas duas semanas.


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Já a comparação entre agosto e setembro, também mostrou anomalia positiva entre 0,1°C e 0,2°C de temperatura, principalmente nas regiões de monitoramento NIÑO3 e NIÑO3.4, no centro e oeste da América do Sul.


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Ainda assim, as anomalias ao longo da Linha do Equador e da costa sul-americana, na região de NIÑO3.4 estão inferiores (2,2°C) ao observado nos eventos de 1982 (2,8°C) e 1997 (2,7°C). Ainda assim, os meteorologistas do Bureau of Meteorology salientam que o pico máximo deve ocorrer até dezembro podendo beirar as marcas de 1982 e 1997 tornando este, um “Super El Niño”.
Nas duas últimas semanas, o Índice de Oscilação Sul (IOS) esteve fortemente negativo, de acordo com o órgão.


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O valor de IOS observado em 11 de outubro chegou a -21,5.
Para esse tipo de monitoramento funciona assim. Valores positivos sustentados do IOS acima de +7 indicam o fenômeno La Niña, que é o resfriamento das águas do Oceano Pacífico Equatorial, enquanto que valores negativos sustentados abaixo de -7 indicam El Niño. E valores entre +7 e -7 mostram uma situação de neutralidade.
O atual IOS é o mais baixo (-21,5) desde janeiro de 2013, período de monitoramento recomendado pela Organização Meteorológica Mundial (OMM).


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Os diferentes modelos numéricos analisados pelo Bureau of Meteorology mostram que o pico máximo do El Niño pode ocorrer entre novembro e dezembro, com anomalias superiores a 2,4°C no Oceano Pacífico Equatorial, de modo geral, mas a tendência é de que pelo menos até junho de 2016, o padrão Niño ainda permaneça ativo.


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Desta forma, e muito preocupante, o cenário que se espera para boa parte do mundo é de extremos ainda maiores tanto de precipitação quanto de temperatura.
Para a América do Sul, os meteorologistas indicam volumes exagerados de chuva na costa do Equador e do Peru, bem como a possibilidade elevada de anomalias positivas de precipitação entre a Argentina, Paraguai, Uruguai e o Sul do Brasil, como um todo. Por outro lado, e tipicamente padrão de Niño, o próximo período chuvoso em boa parte do Centro-Oeste, Nordeste, Nordeste e Sudeste pode sofrer alterações para precipitação abaixo do esperado.


 


(Crédito das imagens: NOAA/Bureau of Meteorology/Austrália)


 

Fonte - De Olho No Tempo

Fotográfo - Divulgação

 
 
 
 
 
 
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