Câmara Municipal de Vilhena, RO, instaura CPI para investigar prefeito

A Câmara Municipal de Vilhena (RO), distante cerca de 700 quilômetros de Porto Velho, abriu uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar irregularida...

Judiciário
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Paulo Portaljipa EM 18/08/2015 ÀS 22:59:37

Câmara Municipal de Vilhena, RO, instaura CPI para investigar prefeito

A Câmara Municipal de Vilhena (RO), distante cerca de 700 quilômetros de Porto Velho, abriu uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar irregularidades na gestão do prefeito José Rover (PP). O pedido foi aprovado na manhã desta terça-feira (18) durante a sessão legislativa. Procurada, a assessoria de comunicação da prefeitura não quis falar sobre o assunto.


O pedido foi embasado em uma documentação enviada à casa de leis pela Polícia Federal (PF), que apura desvio de verbas da União na prefeitura do município através da Operação Stigma. Quatro pessoas estão  presas, entre elas três servidores da prefeitura do município, que foram exonerados durante as investigações.


Para acompanhar a sessão, dezenas de pessoas lotaram o plenário da Câmara de Vereadores pedindo para que o mandato do prefeito fosse cassado. A CPI foi instaurada e três vereadores foram sorteados para compor a comissão: Camorzino Alves (SD), Vanderlei Graebin (SD) e Célio Batista (PP).


o federal João Batista, de 59 anos, conta que a população tinha expectativas maiores sobre a sessão da câmara. "Esperava mais. Infelizmente, temos um legislativo que, em sua totalidade, não representa os anseios da população. Mas, enfim, cria-se uma CPI e só eles que podem fazer isso. Esperava que entrasse com um requerimento pedindo afastamento do prefeito", enfatiza.

O vereador Graebin explica que a CPI terá 90 dias para apurar as irregularidades e destaca que o procedimento está sendo feito de acordo com a lei. "Não adianta no clamor da emoção, afastar, e amanhã ele [prefeito] entrar com mandado de segurança e voltar. Vaias e aplausos faz parte da democracia. Vamos trabalhar de forma isenta e imparcial", ressalta.


O presidente da Câmara de Vereadores do município, Junior Donadon (PMDB), explica que os documentos enviados pela PF foram analisados pelo departamento jurídico da câmara, e apontaram erros na administração. "Há indícios de desvio de finalidade, ocorrências que podem gerar crimes de responsabilidade ao prefeito, inclusive até culminando numa cassação de mandato", conclui.


Operação Stigma
No último dia 10 de julho, a PF e Ministério Público Federal (MPF) começaram a desenvolver a primeira fase da Operação Stigma, quando foi realizada busca e apreensão em uma empresa de acessórios, peças e serviços, que é prestadora de serviços à prefeitura. O proprietário foi preso e liberado após delatar informações sobre o caso.


A operação esteve em mais duas empresas da cidade, na segunda fase da operação, quando mais documentos foram apreendidos. Na terceira etapa, o assessor administrativo, lotado no gabinete do prefeito, Nicolau Junior de Souza, foi preso preventivamente, suspeito de receber propina de empresas prestadoras de serviços à prefeitura. Ele foi exonerado da função.


Polícia Federal Vilhena (Foto: Eliete Marques/ G1)Polícia Federal de Vilhena durante operação no sábado, 15 (Foto: Eliete Marques/ G1)

No sábado (15), três pessoas foram presas pela PF, entre elas dois servidores exonerados da prefeitura na última semana: Bruno Pietrobon, que era chefe de gabinete da prefeitura, e Gustavo Valmórbida , ex-secretário de governo. Carlos Pietrobon, pai de Bruno, também foi preso.


Conforme a PF, os presos estão envolvidos numa organização criminosa e colaboraram para o esquema. "Todos esses problemas que a prefeitura tem, não são problemas soltos. Não é possível que essas pessoas faziam isso nestes locais, sem que não tivessem sendo vistas por alguém, seu superior hierárquico, e que este, não tivesse se reportando a seu superior hierárquico respectivamente", salienta o delegado Flori Miranda.


Secretário de comunicação
Durante a operação a PF descobriu irregularidades na Secretaria Municipal de Comunicação. À polícia, o secretário da pasta, José Luiz Serafim, afirmou que forjou processos para recebimento de verbas que seriam destinadas a uma empresa jornalística da cidade, veículo no qual já tinha trabalhado.


No depoimento, Serafim ainda admite "que recebeu cerca de R$ 300 mil com os procedimentos que levou adiante; que o valor dos empenhos foi maior, cerca de R$ 600 mil, mas a prefeitura não liberou o valor total desses empenhos" e garante que deseja devolver o dinheiro desviado aos cofres públicos. Ele também foi exonerado, mas não foi preso, pois colaborou com as informações.

 

Fonte - G1

Fotográfo - Divulgação

 
 
 
 
 
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