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Venezuela dá calote em dívida com BNDES e União assume pagamento de quase R$ 1 bilhão

Economia

POR Paulo Portaljipa EM 20/03/2018 ÀS 18:28:43

Venezuela dá calote em dívida com BNDES e União assume pagamento de quase R$ 1 bilhão
Em grave crise política, econômica e social, o governo da Venezuela deixou de pagar R$ 901
milhões, ou US$ 274 milhões no câmbio desta segunda-feira (19), referentes a uma parcela de
empréstimos feitos junto ao BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social)
vencida em janeiro. Com isso, o banco público acionou o FGE (Fundo Garantidor de Exportações)
para ressarcir a parcela não paga.
Na prática, quem assume o prejuízo de quase R$ 1 bilhão é o governo brasileiro. Pelo menos até
o pagamento da dívida pelos venezuelanos. 

O FGE é um fundo do Tesouro Nacional ligado ao
Ministério da Fazenda e tem como finalidade dar cobertura às garantias prestadas pela União nas
operações de crédito à exportação.
O objetivo é "segurar as exportações brasileiras de bens e serviços contra os riscos comerciais,
políticos e extraordinários que possam afetar as transações econômicas e financeiras vinculadas a
operações de crédito à exportação", segundo o texto da Lei 9.818/1999, que instituiu o fundo.
Como estes empréstimos foram tomados pela Venezuela para contratar empresas brasileiras,
foram segurados pelo FGE. Ou seja, além de emprestar o dinheiro, o Brasil também é o fiador da
transação.
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De acordo com o BNDES, a Venezuela pagou desde 2002 mais de 50% do total de empréstimos
concedidos pelo banco aos governos de Hugo Chávez (que governou o país vizinho de 1999 a
2013, quando morreu) e Nicolás Maduro (que assumiu depois de Chávez e continua no poder até
hoje) --ou o equivalente a R$ 4,92 bilhões entre principal da dívida, juros e encargos financeiros. 

A Venezuela ainda deve para o banco público brasileiro o equivalente a R$ 3,15 bilhões. Destes,
R$ 2,36 bilhões referentes a apenas obras de empreiteiras brasileiras no país, mais de 90% delas
tocadas por empresas envolvidas na Operação Lava Jato.
Em janeiro, a Venezuela pagou US$ 262 milhões, ou R$ 860 milhões no câmbio de segundafeira,
ao BNDES referentes a outra parcela da dívida, vencida em setembro do ano passado, e
evitou o calote. Na ocasião, o BNDES aguardou o pagamento prometido pelos venezuelanos e
não cobrou a dívida do FGE.
Moçambique já deu calote no Brasil
Esse não é o primeiro calote de governos estrangeiros junto ao BNDES. Em novembro de 2017, a
União ressarciu R$ 124 milhões ao banco, referentes a um financiamento de US$ 22 milhões
concedido a Moçambique que não foi pago. Ao todo, o país africano deve cerca de R$ 1,5 bilhão
ao BNDES.
20/03/2018 Venezuela dá calote em dívida com BNDES e União assume pagamento de quase R$ 1 bilhão - 

O apoio aos negócios de empresas brasileiras no exterior fez parte do projeto das
chamadas "campeãs nacionais", nos governos dos ex-presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e
Dilma Rousseff, ambos do PT. Neste período, as empreiteiras brasileiras expandiram sua
presença na África e na América Latina graças a empréstimos do BNDES, que ajudou a elevar as
exportações brasileiras sob risco de calotes.
O BNDES informa que "os governos do Brasil e da Venezuela vêm se empenhando para a
retomada dos pagamentos". A reportagem não localizou representantes do governo venezuelano
para comentar a situação.
O Ministério da Fazenda confirmou que há operações em atraso, mas que, "enquanto não houver
indenização pela União, o crédito pertence ao banco financiador, sendo coberto por sigilo bancário
e não sendo possível prestar informações específicas sobre as operações". Também acrescentou
haver conversas entre o governo brasileiro, o governo da Venezuela e seus advogados para a
regularização da pendência.
"A próxima compensação é devida em abril, com pagamento em maio de 2018. O FGE arrecadou
historicamente mais de US$ 1,2 bilhão em prêmios líquidos para serem utilizados em
indenizações. O montante arrecadado em prêmios pelo fundo foi pago pelos garantidos (bancos e   exportadores) e tem superado eventuais necessidade de indenização", finalizou.
 

Fonte - UOL

 
 
 
 
 
 
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