PIB 2018: epidemia previdenciária à vista

Economia
4 minutos de leitura

Paulo Portaljipa EM 26/02/2018 ÀS 15:07:09

PIB 2018: epidemia previdenciária à vista

  • Christian
    Bund*
  •  
  • Apesar do governo Temer
    ter mostrado habilidade para aprovar mudanças importantes em 2017, como a
    reforma trabalhista e a do teto dos gastos, parece que não acontece o mesmo com
    o tema previdência. Desde a segunda metade de 2017 o assunto vem sendo trabalhado
    com afinco pelo poder executivo. Já foram feitas diversas mudanças desde o
    projeto original, muitas sugeridas pela oposição, mas mesmo assim parece que a
    reforma ficará para o próximo presidente.
  •  
  • Justamente pode ser a
    eleição presidencial e dos deputados, em 2018, o fator que impede que tal pauta
    avance no congresso nacional. Pelo jeito o tema será bem discutido na eleição.
    Que assim seja, pois a população precisa de mais informação a respeito e
    esperamos que ela venha com qualidade. Na mesma linha, pouco se discute sobre
    os efeitos que essa demora nos ajustes (e já é de muitos anos) gera nas contas
    nacionais e até mesmo dos fundos de previdência (como PREVI, PETROS e outros).
  •  
  • É fato que todo o regime
    previdenciário requer ajustes ao longo do tempo, pois as condições de vida e de
    qualidade de vida se alteram com o passar dos anos. Também é preocupação
    constante do brasileiro a renda na melhor idade. Então por que o tema é
    relegado? E se a previdência não sofrer ajustes, o que acontece? Acontece o que
    ocorre com qualquer empresa que não se atualiza, que não se ajusta à realidade:
    ela quebra. Então é isso que vai ocorrer? Não, será isso e mais um pouco: os
    governos serão afetados (como ‘proprietários’ do sistema previdenciário), assim
    como os fundos de previdência privada existentes.
  •  
  • Em primeira instância,
    com contribuições que não cresceram na proporção dos benefícios por vários
    anos, o sistema previdenciário público não conseguirá mais pagar o benefício
    integral dos aposentados. Por consequência, o governo terá que deixar de
    efetivar alguns gastos (investimento ou custeio) para honrar a previdência. Com
    o passar de mais alguns anos, essa drenagem será tão grande que o governo será
    incapaz de investir. Por mais que o governo seja hábil em cortar gastos e
    melhorar a produtividade, é inevitável esse final sem as reformas.
  •  
  • Com esse desequilíbrio
    nas contas dos governos estaduais e federal, que já ocorre hoje, os fundos de
    previdência privada terão prejuízo e deixarão de investir nos títulos públicos
    brasileiros, pois eles estarão classificados como de alto risco (os fundos de
    previdência privada investem grande parte dos recursos em títulos do governo,
    em função do risco soberano e o governo se serve desses recursos privados para
    o financiamento de diversas atividades públicas).
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  • Sendo abandonado pelos
    seus grandes compradores, o governo perderá ainda mais capacidade de
    investimento e até mesmo de custeio. Para continuar atraindo investidores para
    seu financiamento o governo se verá obrigado a aumentar os juros, atraindo
    investimento especulativo, o que massacrará a população mais pobre. É como uma
    espiral sem fim em direção ao abismo.
  •  
  • Essa situação está no
    horizonte, apesar de ser quase imperceptível. Em função da crise econômica nos
    últimos anos, principalmente 2015 e 2016, o governo aumentou os juros básicos
    da economia, que conhecemos por taxa SELIC (por consequência a atratividade de
    seus títulos). Essa taxa alta somada à descrença dos investidores produtivos
    resultou em uma taxa de inflação bastante baixa frente ao histórico do País.
  •  
  • Em 2017, veio
    paulatinamente diminuindo essa taxa SELIC, ao mesmo tempo em que dava sinais de
    que estava conseguindo estancar os gastos (continuava gastando mais do que
    arrecadava, mas dava sinais que melhoraria a situação), enquanto a inflação se
    mantinha baixa. Os números tímidos, mas positivos, da economia em 2017
    comprovaram a tese do governo federal, que fechou o ano com déficit menor do
    que o previsto nas suas contas (previu déficit de 159 bilhões de reais e realizou
    129 bilhões).
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  • Chegamos a 2018 com o
    ânimo dos investidores produtivos (empresários) já recuperado, com a taxa de
    juros e de inflação baixa. Contudo, para 2018 a previsão do governo federal
    para o resultado entre suas receitas e despesas é de déficit de 159 bilhões de
    reais. Só que o governo declaradamente já contava com a reforma na previdência.
    Ou seja, o prejuízo pode ser maior. Assim sendo, daremos o primeiro passo em
    direção àquela aludida espiral.
  •  
  • A bolsa de valores
    normalmente antecipa essas informações. Será que elas estão em meio aos pregões
    da última semana? Ou somente os fatos internacionais é que causaram tal
    movimento? Cabe observarmos tal informação nas previsões dos especialistas,
    principalmente os consultados para o Relatório Focus, do Banco Central do
    Brasil (BCB). No momento, tal relatório apresenta o PIB com perspectiva de
    crescimento para 2018 (2,7%).
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  • Vamos acompanhar para ver
    se a ameaça previdenciária se concretiza. Ela pode afetar sobremaneira nossa
    vida futura e a economia ainda em 2018. Por enquanto vamos confiando que a
    agricultura, a indústria e a prestação de serviços cresçam em 2018, enquanto a
    vacina para a epidemia previdenciária não chega.
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  • * Christian Bundt é
    administrador e Membro do Comitê Macroeconômico do ISAE – Escola de Negócios.

















































 

Fonte - Assessoria

 
 
 
 
 
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