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  • O fim do dinheiro como conhecemos

    Economia
    3 minutos de leitura

    Paulo Portaljipa EM 16/09/2017 ÀS 22:37:04

    O fim do dinheiro como conhecemos




    Entre
    tantas revoluções pelas quais o dinheiro já passou, desde as moedas de ouro e
    prata ao cartão de crédito, voltamos agora a atenção para um movimento de
    mudança radical. Graças aos avanços tecnológicos, chegamos às criptomoedas. Tal
    qual as convencionais, as criptomoedas podem ser compradas e negociadas, e, a
    partir daí, serem utilizadas para adquirir desde serviços online até
    apartamentos, matéria-prima etc. No Brasil os estabelecimentos comerciais ainda
    resistem, mas ao redor do mundo alguns países já estão inclusive regulando a
    utilização da moeda.



     



    A
    criptomoeda é considerada uma moeda fiduciária, ou seja, não possui lastro em
    metal, não tem representação física e é controlada por meio da tecnologia
    blockchain, que garante a segurança do sistema. Especialistas estimam que até
    2027 cerca de 10% do PIB mundial estará armazenado em tecnologia blockchain.



     



    Exemplo
    das criptomoedas, os bitcoins são virtuais, independentes e sem regulação de
    qualquer entidade, não existem em locais virtuais, como correios eletrônicos ou
    armazenamentos em nuvem, e muito menos em locais físico/virtuais como hard
    drivers ou pen drivers. Para “materializar” um bitcoin ou visualizar
    o balanço de sua conta corrente é necessário relacionar diferentes registros de
    transação dispostos em uma rede de bloco virtual (blockchain), que só podem ser
    consolidados mediante uma chave privada. No Fórum Econômico Mundial de 2017 as
    criptomoedas e o blockchain foram relacionados com temas como confiança nas
    negociações, mudanças nos serviços financeiros e outros impactantes para o
    cenário econômico mundial. A discussão se iniciou principalmente pelo potencial
    que essa tecnologia tem para dificultar tentativas de esconder ou disfarçar
    transações.



     



    Apesar
    de uma pesquisa da consultoria PwC apontar que menos de 5% dos bancos estão bem
    familiarizados com o assunto, em agosto de 2016 os bancos Bank of America e
    HSBC revelaram ter construído uma aplicação para melhorar transações com
    letras de crédito. A atenção das instituições financeiras tem motivos, pois o
    blockchain permite que grandes volumes monetários sejam arrecadados, sem taxas
    ou desvios e em tempo real. Sem dúvida o blockchain irá impactar
    bancos, seguradoras e intermediadoras de pagamentos, mas existem infindáveis
    possibilidade em marketing, serviços sociais, vendas, a exemplo do que ocorreu
    como Uber, Airbnb e eBay.



     



     Se
    esse modelo for aplicado, atividades hoje muito presentes tendem a
    desaparecer. Muitos dos especialistas que anteciparam e antecipam
    movimentos do mercado, como Don e Alex Tapscott, autores do livro Blockchain
    Revolution, apontam grandes mudanças em modelos de negócio que exigem
    intermediação, como os cartórios, que realizam atividades para garantir que as
    informações apresentadas por cada uma das partes em uma negociação sejam
    verdadeiras.



     



    Em
    breve ao adquirir um imóvel, automóvel ou uma laranja orgânica poderemos
    consultar um blockchain que possuirá todas as informações históricas, sem a
    necessidade de uma entidade intermediadora. Será possível, a partir de um
    smartphone, realizar a leitura de um QR Code que detalhará todas as manutenções
    realizadas no imóvel, todas as vezes que o seguro de um automóvel foi acionado
    e até mesmo se a fazenda que vende orgânicos realizou recentemente a aquisição
    de agrotóxicos.



     



    Como
    se não bastasse, a criptomoeda já é uma possibilidade disseminada de
    investimento, e vemos o reflexo disso nos seus preços. A cotação da moeda
    virtual bitcoin em comparação com o real, saiu do patamar negociados abaixo de
    R$ 1 mil reais, em 2015, para a cotação de R$18.000, mais de 1.800% em apenas
    dois anos. Ao que tudo indica, o título deste artigo não contém exageros.



     



    *Christian
    Geronasso e Patrick Silva são membros
    do Comitê Macroeconômico do ISAE - Escola de Negócios



     

     

    Fonte - *Por Christian Geronasso e Patrick Silva

     
     
     
     
     
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