Dólar volta acima de R$3,70 por BC, mas ainda cai 2% com Lava Jato e Lula

SÃO PAULO (Reuters) - O dólar reduziu a queda e voltou a ser negociado acima de 3,70 reais nesta sexta-feira após o Banco Central vender apenas parcialmente a oferta de swaps camb...

Economia
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Paulo Portaljipa EM 04/03/2016 ÀS 17:02:26

Dólar volta acima de R$3,70 por BC, mas ainda cai 2% com Lava Jato e Lula

SÃO PAULO (Reuters) - O dólar reduziu a queda e voltou a ser negociado acima de 3,70 reais nesta sexta-feira após o Banco Central vender apenas parcialmente a oferta de swaps cambiais que vencem em abril, mas continuava em queda de 2 por cento em reação à nova fase da operação Lava Jato que tem como alvo o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.


Às 12:31, o dólar recuava 2,07 por cento, a 3,7235 reais na venda, após cair 5,03 por cento nas três sessões anteriores. A moeda norte-americana chegou a 3,6550 reais na mínima deste pregão, queda de 3,87 por cento, menor patamar intradia desde 1º de setembro de 2015 (3,6192 reais).


Se mantiver esse ritmo, o dólar fechará esta semana com a maior queda acumulada desde outubro de 2008. O dólar futuro caía cerca de 2 por cento.


"Parece que o BC quer segurar um pouco a queda do dólar, está muito intensa", disse o gerente de câmbio da corretora BGC, Francisco Carvalho.


"Ele pode ter espaço para reduzir o estoque (de swaps cambiais). Podemos ver um anúncio de rolagem menor depois do fechamento, reduzindo a oferta a partir de amanhã", acrescentou, referindo-se ao estoque equivalente a cerca de 110 bilhões de dólares em swaps administrado pelo BC.


O BC vem rolando integralmente todos os swaps cambiais, contratos equivalentes a venda futura de dólares, nos últimos sete vencimentos. Antes disso, a autoridade monetária vinha calibrando suas ofertas de modo a se ajustar às condições do mercado, alternando rolagens parciais e integrais.


Neste mês, o BC vinha indicando que rolaria integralmente os swaps que vencem em abril, que correspondem a 10,092 bilhões de dólares, vendendo sempre a oferta integral diária de até 9,6 mil contratos. Nesta sessão, porém, a autoridade monetária vendeu apenas 8 mil swaps, golpeando instantaneamente as cotações.



Com o leilão, o BC rolou ao todo 1,790 bilhão de dólares em swaps, ou cerca de 18 por cento do lote total. Se mudar o ritmo e passar a oferecer 8 mil contratos por dia, vendendo sempre a oferta integral até o penúltimo pregão, como de praxe, a autoridade monetária rolará cerca de 85 por cento. 


O BC tem dito que atua para garantir oferta de proteção cambial e atenuar a volatilidade. Alguns operadores acreditam, porém, que a autoridade monetária tem em vista também o nível da taxa, já que cotações altas tendem a pressionar a inflação e patamares baixos prejudicam as exportações.


 


LULA


Mesmo com a ação do BC, o dólar continuava em trajetória firme de queda, reagindo às investigações da PF. A operação Lava Jato lançou nesta manhã nova fase da investigação tendo como alvo Lula, contra quem foram expedidos mandados de condução coercitiva e busca e apreensões, para apurar possíveis crimes de corrupção e lavagem de dinheiro do esquema envolvendo a Petrobras.


"(A presidente Dilma Rousseff) já está muito fragilizada e com isso a oposição ganha mais força", disse o operador da corretora Spinelli José Carlos Amado. "Se as manifestações do dia 13 forem grandes, a situação fica muito ruim para ela", acrescentou, referindo-se a protestos planejados a favor do impeachment da presidente.


Notícias que aumentam a pressão sobre Dilma, alvo de processo de impeachment, vêm sendo bem recebidas pelo mercado, que entende que eventual troca no governo pode trazer de volta a confiança e abrir espaço para mudanças na política econômica. Além disso, a investigação contra Lula poderia atrapalhar os planos do ex-presidente de concorrer à eleição em 2018.


Ainda assim, alguns analistas ponderam que as turbulências políticas podem dificultar ainda mais a governabilidade no presente. Além disso, não é certo que a saída da presidente resultaria em um governo mais apto a promover as dolorosas reformas econômicas que muitos acreditam ser a chave para a recuperação.


"O mercado está apostando em retomada da confiança que pode não se concretizar. Há uma certa euforia e acho que algumas pessoas estão indo no embalo, mas tem muita água para rolar ainda", disse o operador de um banco internacional, sob condição de anonimato.


Na véspera, o dólar já havia caído mais de 2 por cento sobre o real, reagindo à notícia de suposta delação premiada do senador Delcídio do Amaral (PT-MS) na operação Lava Jato envolvendo a presidente Dilma e Lula.



Também contribuíram para o recuo da moeda norte-americana nesta sessão dados mostrando que a economia dos Estados Unidos criou mais vagas que o esperado em fevereiro, alimentando o apetite por risco nos mercados globais. O efeito foi limitado, porém, porque os números também podem abrir caminho para aumentos de juros nos EUA, algo que prejudicaria mercados emergentes.

 

Fonte - Assessoria

Fotográfo - Divulgação

 
 
 
 
 
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