DISCURSO NA ONU Dilma diz que ações para enfrentar crise no Brasil chegaram ao limite

Dilma diz na ONU que Brasil não possui problemas estruturais e tem como superar dificuldades Em seu discurso na sessão de abertura da Assembleia Geral da Organização das N...

Economia
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Paulo Portaljipa EM 28/09/2015 ÀS 21:35:27

DISCURSO NA ONU Dilma diz que ações para enfrentar crise no Brasil chegaram ao limite

Dilma diz na ONU que Brasil não possui problemas estruturais e tem como superar dificuldades


Em seu discurso na sessão de abertura da Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), a presidente Dilma Rousseff admitiu aos líderes mundiais que o Brasil passa, atualmente, por um momento de dificuldades econômicas, com aumento da inflação, desvalorização cambial e queda de receitas. Ela, no entanto, ressaltou que, apesar da crise, o país não vive "problemas estruturais graves", e sim dificuldades pontuais.


Após destacar que, nos últimos seis anos, o Brasil adotou uma série de medidas para tentar reduzir os efeitos da crise econômica internacional de 2008 e que essas ações chegaram “ao limite”, Dilma frisou que o objetivo de seu governo é gerar mais oportunidades de investimentos, ampliando a geração de empregos no país.



O Brasil não tem problemas estruturais graves, nossos problemas são conjunturais e, diante desta situação, estamos reequilibrando o Orçamento e assumimos uma forte redução de nossas despesas, gastos de custeio e parte do investimento"

Dilma Rousseff, presidente da República


Ao longo de cerca de 20 minutos de discurso, ela disse que a economia brasileira é “mais forte e sólida” do que em anos anteriores e tem condições de superar as dificuldades e “avançar na trilha do crescimento”. Como em discursos recentes, a petista voltou a afirmar que o momento é de transição para o “novo ciclo de desenvolvimento econômico”.


"A lenta recuperação da economia mundial e o fim do superciclo das commodities incidiram negativamente sobre nosso crescimento. A desvalorização cambial e as pressões recessivas produziram inflação e forte queda da arrecadação, levando a restrições nas contas públicas. O Brasil, no entanto, não tem problemas estruturais graves, nossos problemas são conjunturais e, diante desta situação, estamos reequilibrando o Orçamento e assumimos uma forte redução de nossas despesas, gastos de custeio e parte do investimento”, enfatizou.


Dilma citou no auditório da ONU que, na tentativa de conter a crise econômica, seu governo propôs ao Congresso Nacional “cortes drásticos” de despesas no Orçamento do ano que vem. Conforme a petista, o país deverá se reorganizar na economia, buscando a estabilidade macroeconômica e a retomada do crescimento com distribuição de renda.


“Propusemos cortes drásticos de despesas e redefinimos nossas receitas. Essas iniciativa visam a reorganizar o quadro fiscal, reduzir a inflação, consolidar a estabilidade macroeconômica e garantir a retomada do crescimento com distribuição de renda.”


A chefe do Executivo falou ainda sobre as políticas sociais e de transferência de renda implantadas nos últimos anos pelo governo brasileiro. Segundo ela, a “eficácia” do programa Fome Zero pode ser vista na retirada do Brasil do chamado "mapa da fome", um dos itens dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável das Nações Unidas.




  • Corrupção



Dilma também abordou, em meio ao discurso, o tema da corrupção. A presidente afirmou que, graças ao “vigor de suas instituições”, o Estado brasileiro tem atuado de forma “firme e imparcial”, por meio de seus órgãos de fiscalização, para investigar e punir desvios e crimes. Ela destacou que, no Brasil, o governo e a sociedade "não toleram a corrupção".


“Queremos um país em que as leis sejam o limite. Muitos de nós lutamos por isso quando as leis e os direitos foram vilipendiados durante a ditadura. Queremos um país em que os governantes se comportem rigorosamente segundo suas atribuições, sem ceder a excessos, além de juízes que julguem com liberdade e imparcialidade, sem pressões de qualquer natureza, desligados de paixões político-partidárias”, ressaltou.



Graças à plena vigência da legalidade e ao vigor das instituições democráticas, o fundamento do Estado tem sido escrutinado de forma firme e imparcial pelos poderes e organismos públicos encarregados de fiscalizar, investigar e punir desvios e crimes. O governo e a sociedade não toleram e não tolerarão corrupção"

Dilma destaca o combate à corrupção no Brasil


Dilma também dedicou parte do discurso à defesa da democracia no Brasil. Em um dos trechos, ela citou uma declaração do ex-presidente do Uruguai José Mujica, na qual ele afirma que a democracia não é perfeita, mas é preciso defendê-la para melhorá-la.


Sem mencionar diretamente o atual momento político do Brasil, a presidente foi enfática ao dizer que o Brasil “continuará trabalhando” pelo caminho democrático e não “abrirá mão” das conquistas pelas quais “tanto lutamos”.


“Queremos um país em que o confronto de ideias se ambiente de civilidade e respeito. Queremos um país em que a liberdade de imprensa seja fundamento dos direitos de opinião e manifestação”, declarou a petista.Refugiados


A presidente da República também usou seu discurso na Assembleia Geral da ONU para comentar a crise de imigração que o mundo vive atualmente (assista ao vídeo acima). Na avaliação de Dilma, é um "absurdo imperdir o livre trânsito de pessoas". Ela se referia a situação de refugiados que tentam chegar a países da Europa.



Em um mundo onde circulam livremente mercadorias, capitais, informações e ideias, é absurdo impedir o livre trânsito de pessoas"

Presidente fala sobre a crise mundial de imigração


Nas últimas semanas, a Europa tem recebido milhares de imigrantes ilegais saídos de países em conflito na África e no Oriente Médio. A emigração em massa vem gerando acirramento da repressão nas fronteiras europeias e acidentes envolvendo imigrantes que se arriscam para chegar a um novo país.


"Em um mundo onde circulam livremente mercadorias, capitais, informações e ideias, é absurdo impedir o livre trânsito de pessoas", opinou a presidente brasileira.


Dilma voltou a declarar, a exemplo do que fez durante reuniões preliminares da ONU no fim de semana, que o Brasil está aberto para receber imigrantes.


"O Brasil é um país de acolhimento, um país formado por refugiados. Recebemos sírios, haitianos, homens e mulhers de todo mundo. Assim como abrigamos há mais de um século europeus, árabes  e asiáticos, estamos abertos e de braços abertos para receber refugiados. Somos um país multiétnico", disse a presidente, sendo intensamente aplaudida pelos governantes mundiais.

 

Fonte - reuters

Fotográfo - Divulgação

 
 
 
 
 
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