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Com eleição de Trump bolsas desabam pelo mundo e dólar fecha em R$ 3,22

SÃO PAULO - O dólar comercial à vista fechou em alta de 1,57% nesta quarta-feira, 9, a R$ 3,2232, após o resultado da eleição presidencial nos Estados Unidos....

Economia

POR Paulo Portaljipa EM 09/11/2016 ÀS 18:52:10

Com eleição de Trump bolsas desabam pelo mundo e dólar fecha em R$ 3,22

SÃO PAULO - O dólar comercial à vista fechou em alta de 1,57% nesta quarta-feira, 9, a R$ 3,2232, após o resultado da eleição presidencial nos Estados Unidos. A vitória de Donald Trump inicialmente gerou tensão nos mercados, levando a uma alta da divisa americana ante moedas de países emergentes.


vitória de Donald Trump para a presidência dos Estados Unidos foi recebida com choque por investidores de todo o mundo e os mercados financeiros asiáticos, europeus e latinos desabaram na manhã desta quarta-feira (9).


O índice Nikkei do Japão caiu mais de 800 pontos, ou seja quase 5%. As aplicações financeiras estão se transferindo para o ouro. O peso mexicano está em queda livre.


Aqui no Brasil, o resultado da eleição americana não foi diferente. Antes do pregão, o dólar americano disparava quase 2,5% ante o real.


O Índice de Valores da Bolsa de São Paulo (Ibovespa) caia -2,29% por volta das 11h, com 62.690,7 pontos. Ao mesmo tempo, o dólar comercial subia, a R$ 3,223, maior alta nos últimos dois meses.


O Banco Central não fez seu tradicional de leilão de swap cambial reverso (que equivale a uma compra de dólar no mercado futuro), justamente para não adicionar ainda mais pressão compradora ao dólar. "O mais prudente é não fazer o leilão nesse momento de volatilidade”, informou a assessoria de imprensa do BC.


Nos quatro pregões anteriores, o dólar havia acumulado queda de 2,28% sobre o real com apostas de que Trump não sairia vitorioso da eleição.


O republicano surpreendeu o mundo derrotando a franca favorita Hillary Clinton na eleição presidencial dos Estados Unidos na terça-feira, encerrando oito anos de governo democrata e colocando o país em um caminho novo e incerto.


"Acho que o dólar pode ir a R$ 3,30 até a próxima semana porque ninguém estava precificando a vitória de Trump", comentou o analista de câmbio da corretora Gradual Investimentos, Marcos Jamelli.


Pelo mundo


Uma vez que os investidores de todo o mundo apostavam na vitória da democrata Hillary Clinton, o resultado provocou caos nas bolsas pelo mundo.


A Bolsa de Valores de Milão abriu em forte baixa de 3,47%, batendo apenas 16.230 pontos, com uma grande queda nas ações de bancos, como o MPS, que caiu 11,4%.


O mesmo acontece nos mercados de Paris, com queda de 2,8%, Londres, com queda de 1,6%, e Frankfurt, com baixa de 2,9%, na abertura dos negócios. A maior baixa é sentida em Madri, com a bolsa despencando 3,82%. Segundo analistas, a previsão é que o mercado se mantenha no vermelho durante todo o dia.

Mesmo fechando antes do resultado eleitoral, mas com base nas projeções que já apontavam Trump como eleito para a Casa Branca, os mercados da Ásia também fecharam em forte queda.


O índice Nikkei, no Japão, fechou no vermelho em 5,36%, sendo o pior número desde que os britânicos optaram por deixar a União Europeia, no dia 24 de junho. Já na China, a Bolsa de Xangai fechou em -0,7%, de Hong Kong em -2,3% e em Sidney -2,4%.


O peso mexicano foi a moeda mais impactada com o resultado da eleição, uma vez que Trump ameaça acabar com um acordo de livre comércio com o México e taxar o dinheiro enviado pelos imigrantes para pagar pela construção de um muro na fronteira.


O peso enfraqueceu mais de 13% no after-market do México, ultrapassando a barreira dos 20 pesos por dólar, maior queda desde a Crise da Tequila em 1994.


A moeda mexicana reduziu as perdas e caiu cerca de 8,5%, a 19,875 por dólar no início da quarta-feira, depois que Hillary admitiu a vitória de Trump em uma ligação telefônica.


Por que o dólar se fortalece com a vitória de Trump?


Com a onda de aversão ao risco, que elevou a busca por ativos considerados mais seguros, como ouro e iene, o dólar disparava ante divisas emergentes, como economias em desenvolvimento e que oferecem algum risco ao investidor.


"Há muito pânico no mercado, é definitivamente um resultado que não se estava esperando", disse o estrategista do Banorte-IXE, Juan Carlos Alderete. "Os movimentos são muito fortes, o mercado está mostrando maior aversão ao risco em busca de ativos seguros."


Trump fez um discurso considerado conciliador após sua vitória, diferentemente do estilo agressivo adotado em toda a sua campanha, o que reduziu um pouco o temor nos mercados financeiros. Apesar disso, os investidores devem permanecer estressados até ter conhecimento do que de fato o presidente eleito vai conseguir colocar em prática das propostas radicais que anunciou em sua campanha.


"Passado o primeiro momento de intranquilidade, o mercado tende a se ajustar quando passar o susto", comentou o gerente de câmbio corretora Fair, Mário Battistel, gerente de câmbio corretora Fair.


(Com informações da Reuters e Agência Brasil)

 

Fonte - Estadão

Fotográfo - Divulgação

 
 
 
 
 
 
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